Consignados:
20/04/2012 19:08
Cid Gomes afasta hipótese de demitir Arialdo e diz que consignados é “assunto encerrado”
Por: Ferreira Jr.

O governador Cid Gomes (PSB) afastou a hipótese de demissão do secretário Chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho, que teve o nome envolvido nas denúncias do suposto esquema de favorecimento e tráfico de influência no sistema de empréstimos consignados para os servidores do Estado.
“Nem, nem sei qual é a relação que possa existir aí. Porque tinha um genro. Eu andei verificando em todos os caminhos se de alguma forma tinha havido alguma relação de tráfico de influência. Não encontrei. Poderia até ter dado por encerrado o assunto. Mas hoje eu conversei com gente nacional do Bradesco, perguntei objetivamente se tinha havido alguma forma de pressão e eles, taxativamente, disseram que não”,revelou Cid Gomes.
A declaração foi feita após a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (Upa) do Autran Nunes, em Fortaleza.
“Pra mim é um assunto encerrado.Vamos encerrar o contrato com essa consignadora, vamos ver o modelo que reduza custos e que torne o crédito mais acessível possível para os servidores”, concluiu Cid Gomes tentando afastar a polêmica.
Assunto encerrado
“Eu determinei a secretaria que o contrato fosse encerrado. Isso já foi feito. Na época, fizemos licitação que previa o critério de remuneração ao Governo do Estado e de registro de linha. Depois acabou chegando ao nosso conhecimento e sem nossa participação, personagens, correspondentes bancários, não sei como chama”, explicou em referência aos correspondentes bancários subcontratados pela ABC.
“Vamos buscar formas de fazer com que se tenha amarrações que impeçam qualquer tipo de rentabilidade que não seja para o servidor público”, enfatizou Cid Gomes.
Sem renegociação e demagogia
O governador ainda descartou a possibilidade de refinanciar dívidas dos servidores que já contraíram empréstimos.
“Essa coisa tem que ficar muito claro para evitar demagogia. Ninguém é obrigado a fazer nenhum tipo de contrato. Ninguém foi enganado, ninguém foi iludido. Qualquer pessoa que fez empréstimo sabia quais eram as taxas de juros e sabia quantas prestações iria pagar e quanto iria pagar. O que nós vamos fazer conseguir baixar as margens e tirar os serviços que estavam sendo cobrados na mediação e deixar o crédito mais acessível para o servido”, disse.
Situação
Cerca de 62 mil servidores, entre ativos e pensionistas, contrataram empréstimos consignados segundo a secretaria de planejamento dos Estado. A cobrança elevada das taxas de juros é uma das linhas de investigação do Ministério Público estadual. Uma outra investigação é se há favorecimento pelo fato do dono de uma das empresas que supostamente estaria à frente do negócio pertencer ao genro do secretario chefe da casa civil, Arialdo Pinho.
Depoimento
Tivemos acesso ao depoimento de Luiz Antonio Ribeiro Valadares, o Zé do Gás, genro de Arialdo Pinho… ele prestou esclarecimento ao ministério público no dia 8 de março. Ele negou que a sua empresa, a Promus, tenha sido beneficiada pela relação familiar que tem com o secretário e revelou a cifra milionária que ganha com o negócio: segundo ele, o faturamento bruto médio da Promus é de dois milhões e setecentos mil reais por mês.
Quanto e quem
O ministério público estadual solicitou uma série de informações aos bancos Bradesco e Caixa Econômica Federal para saber quais empresas foram contratadas para captar clientes. Os promotores também querem saber qual o volume de dinheiro movimentado e qual o percentual que cada empresa levou com o negócio dos consignados. A partir dessas informações, o ministério público vai poder afirmar se houve, ou não, favorecimento ao genro do secretário Arialdo Pinho, o que pode configurar crime de improbidade administrativa, segundo explica o promotor Ricardo Rocha.
Relembre o caso
O caso dos empréstimos consignados virou polêmica no ano passado. Segundo a denúncia a empresa ABC (Administradora Brasileira de Cartões S.A.) venceu a licitação do governo do estado para operar os empréstimos consignados aos servidores públicos.
Mas indicou uma outra empresa, a PROMUS, para fazer o serviço com o nome fantasia de “Cartão Único”. A empresa pertence a Luis Antonio Riberiro Valadares, conhecido como “Zé do gás”, genro do secretário Chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho. Ligação que levantou suspeitas de tráfico de influência e favorecimento.
E ainda Hoje o serviço de empréstimo consignado também é oferecido aos servidores por alguns correspondentes bancários, cerca de 14, entre empresas e pessoas físicas. Para cada empréstimo contraído pelo servidor através do cartão único, a Promus ganharia 19% de comissão. Ainda de acordo com a denúncia, os consignados movimentariam cerca de R$ 50 milhões por mês, o que renderia à Promus R$ 10 milhões mensais.