Deputados estaduais que fazem oposição ao governo Cid Gomes (PSB) voltaram a cobrar explicações sobre o sistema de empréstimos consignados, na sessão desta quinta-feira (10), na Assembleia Legislativa. Durante o debate, os parlamentares acusaram a base aliada do governo de barrar investigações ao rejeitar pedidos de informações sobre contratos da administração. Segundo a oposição, os aliados trabalham para blindar” o governo.
 

Heitor Férrer, Eliane Novais, Augustinho Moreira e Roberto Mesquita se revezaram nas críticas à base aliada do Governo

 

No caso dos consignados, a oposição quer ouvir no ambiente formal da Assembleia Legislativa o que os servidores públicos estaduais têm a dizer sobre os empréstimos descontados em folha. A denúncia agora é de que os bancos (Bradesco e Caixa Econômica Federal) que emprestam dinheiro, com a permissão do governo Cid Gomes, estariam descontando além do limite de endividamento permitido por lei que é de 40%.

 

A deputada Eliane Novais (PSB) diz que o Fórum Unificado dos Servidores teria informações sobre 90 mil funcionários endividados e que em alguns casos “Os bancos descontam as prestações com valores acima do descrito no contra-cheques. Tem servidor recebendo R$10 no final do mês”, disse.

 

Denúncia
A empresa que tem a exclusividade de operar empréstimos consignados com os servidores do estado é ligada ao genro do secretário chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho. Segundo a denúncia, exibida pela TV Jangadeiro no final de Setembro, a empresa ABC (Administradora Brasileira de Cartões de Crédito) venceu a licitação, mas é a Promus de propriedade de Antonio Carlos Ribeiro Valadares, genro de Arialdo,  que opera o sistema e cobra juros acima da média de mercado.

 

A oposição diz que a base de apoio do governo está organizada para barra a realização da audiência pública com os servidores endividados. Além disso, na sessão desta quinta-feira os requerimentos que solicitavam informações sobre o sistema de empréstimos consignados foram rejeitados em votação no plenário.

 

Blindagem
Os deputados Augustinho Moreira e Roberto Mesquita (ambos do PV) afirmam que a base de apoio, composta por 40, dos 46 parlamentares, está unida para “blindar” o governo.

 

Mas se na Assembleia Legislativa os deputados de oposição não encontram espaço para garantir acesso as informações sobre o possível esquema de favorecimento e tráfico de influência, a alternativa é buscar outros caminhos e os parlamantares avaliam que a melhor saída é o Ministério Público.

 

“A base aliada pode blindar o governo, mas não vai blindar o Ministério Público”, disse Heitor Férrer (PDT) ao comentar que já protocolou ações pedindo investigação sobre os consignados.

 

E mais
E não é só no caso dos empréstimos consignados que a oposição reclama da falta de informações. O grupo simplesmente não consegue aprovar requerimentos para ter acesso a contratos e aprofundar a análise dos gastos da administração estadual. Fato que praticamente impede uma das principais funções de um deputado: que é justamente fiscalizar o governo.

 

Requentada
Apesar da reclamação dos parlamentares de oposição, o líder do governo na Assembleia, deputado Antonio Carlos (PT), nega que a base de apoio esteja orientada, dentro de uma estratégia de proteção, para blindar o governo Cid. O governista avalia que as críticas “são notícias requentadas  toda quinta-feira, dia de votação dos requerimentos na Assembleia”, para tentar criar desgastes contra o governo.

 

Assista à reportagem exibida no Jornal Jangadeiro 2ª Edição: